Análise Funcional: Entendendo Comportamentos
  • Os problemas de comportamento são uma das maiores preocupações dos adultos em relação às pessoas com TEA, sejam elas seus filhosou alunos, não é mesmo?! Choros, gritos, birras e agressões aumentam significativamente o stress familiar, gerando mal estar e dificultando a aprendizagem de outras habilidades (comunicação, interação social saudável, etc).
 
  • Mas será que o ambiente tem alguma coisa a ver com esses comportamentos?B.F. Skinner, cientista considerado o pai da Análise do Comportamento, foi o primeiro a usar o termo “Análise Funcional” para referir-se às relações de “causa-e-efeito” entre ambiente e comportamento.
 
  • O comportamento de um indivíduo é a variável dependente, e as variáveis independentes são as condições externas das quais o comportamento é função. Como destacado no post anterior, um comportamento sempre é controlado por um estímulo (chamado de antecedente) e seguido por uma conseqüência que, dependendo de cada pessoa, tende a fortalecer ou enfraquecer o comportamento.
 
  • Para tornarmos essa idéia mais clara, vamos pensar no seguinte exemplo: uma criança está no pátio da escola no recreio com um bonequinho na mão. Nesse momento, vem um colega e toma o brinquedo dela. Imediatamente, a criança começa a chorar e a se bater, e logo a professora lhe dá atenção e lhe devolve o boneco. Se fôssemos fazer então uma análise funcional dessa situação, teríamos:

Antecedente

Comportamento

Conseqüência

                   Retirada do brinquedo de sua mão no recreio                                      Chorar e se bater                Atenção da professora edevolução do brinquedo
   
  • É claro que este é um exemplo simples, porém útil para fazermos uma hipótese: será que a consequência que a criança está recebendo (atenção da professora e devolução do brinquedo) tem mantido o comportamento (e aumentado a probabilidade) de repetir o comportamento de chorar e se bater, em situações onde alguém retira um brinquedo de sua mão? Para testarmos esta hipótese, precisamos nos fazer algumas perguntas, por exemplo: Na ausência da professora ele apresenta este mesmo comportamento? (Para testar a hipótese se este comportamento está sob controle da relação da professora)Ele reage desta forma com qualquer brinquedo, ou com um específico? (Para testar a hipótese se este brinquedo funciona como algo que dá segurança à criança no ambiente do recreio)Quando ele está em outro ambiente mais tranquilo, ele também reage desta forma (hipotetizando se o fato dele estar em um ambiente desorganizado e barulhento como o recreio aumenta a chance dele agir assim, pois talvez ele tenha uma alteração sensorial)Estas são algumas dentre várias outras perguntas possíveis…
 
  • Outra estratégia possível consiste em alterar as consequências e avaliar se isto faz reduzir a frequência da resposta de chorar e se bater. Se isto ocorrer, podemos dizer que aquele comportamento estava sendo reforçado pelas consequências que eram oferecidas à criança.
 
  • Geralmente a análise funcional envolve múltiplos fatores, como mais de um antecedente e várias consequências associadas ao comportamento analisado. É com base nesta análise que é possível planejar as intervenções de forma embasada e colocar o plano de tratamento em ação.
 
  • A análise funcional vale tanto para crianças com desenvolvimento típico, quanto para crianças com autismo. Entretanto, conhecer as especificidades do autismo é fundamental para fazer análises funcionais que levem em consideração estas características e evitar erros de análise e simplificações (uso de “receitas de bolo”).
 
  • Fonte: ABA e Autismo
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